Hospital Azambuja amplia cirurgia robótica para o tratamento de tumores de cabeça e pescoço

Procedimento com o sistema Da Vinci reúne precisão, abordagem menos invasiva e recuperação mais rápida para pacientes com tumores de difícil acesso

A cirurgia robótica passou a integrar os procedimentos da especialidade de cabeça e pescoço no Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux – Hospital Azambuja. Com o sistema Da Vinci, a equipe médica consegue alcançar tumores localizados em regiões de difícil acesso pela cirurgia convencional, com visão tridimensional e movimentos precisos.

O primeiro procedimento da especialidade no Hospital Azambuja foi realizado em um paciente com carcinoma epidermoide, um tipo de câncer, na orofaringe. Essa região corresponde à parte da garganta localizada atrás da boca e inclui a base da língua e as tonsilas, conhecidas popularmente como amígdalas. A cirurgia foi planejada em três etapas.

Na primeira, a equipe realizou a linfadenectomia, também chamada de esvaziamento cervical, para retirar os linfonodos do pescoço, estruturas conhecidas popularmente como gânglios. Na segunda, removeu o tumor na orofaringe com o auxílio do sistema robótico. Segundo Belli, a plataforma proporciona exposição adequada da região e visão tridimensional para a retirada do tumor com margens de segurança, uma faixa de tecido ao redor da lesão. A última etapa consistiu na reconstrução da área operada com o autotransplante de um retalho antebraquial, tecido retirado do antebraço do próprio paciente e transferido para a orofaringe.

O procedimento reuniu profissionais de diferentes áreas. O Dr. Marcelo Belli foi o cirurgião principal e responsável pelo acompanhamento do paciente. A etapa robótica foi realizada pelo Dr. Felipe Barros de Souza Correia, integrante da equipe do Dr. Marcelo, com treinamento específico em cirurgia robótica e experiência no Hospital de Amor, em Barretos (SP). A reconstrução ficou sob responsabilidade do cirurgião plástico Dr. Ricardo Vanz e sua equipe.

“O procedimento aconteceu de forma tranquila e durou em torno de sete horas. O paciente se recuperou muito bem e já está reabilitado às suas funções de fonação e de deglutição”, relata Belli.

Cirurgia transoral robótica

Segundo o médico, a principal aplicação da plataforma na especialidade está nas cirurgias transorais robóticas, conhecidas pela sigla TORS, do inglês Transoral Robotic Surgery. Transoral significa que o acesso ao tumor é feito pela boca. O médico destaca seu uso para tumores da base da língua e das tonsilas. “A cirurgia transoral robótica, de certa forma, revoluciona o tratamento cirúrgico dos tumores de orofaringe”, afirma.

Durante o procedimento, a câmera e os braços robóticos são posicionados dentro da boca com o auxílio de afastadores, instrumentos que mantêm espaço para o acesso à região. Belli explica que essa disposição permite à equipe se aproximar do tumor e realizar a ressecção, nome dado à retirada cirúrgica, com as margens de segurança necessárias.

Segundo Belli, o acesso pela boca evita cirurgias com acessos transmandibulares, que passam pela mandíbula. Um dos exemplos é a mandibulotomia, abertura planejada da mandíbula para acessos quando não há disponibilidade da cirurgia robótica.

Entre os benefícios da cirurgia robótica apontados pelo cirurgião estão a menor morbidade, ou seja, menor impacto da operação sobre o paciente, e a recuperação mais rápida. Belli também destaca que a técnica evita traqueostomias, aberturas feitas no pescoço para permitir a passagem de ar para a traqueia. Ele menciona ainda a aplicação em tumores da supraglote, parte da laringe localizada acima das cordas vocais, e de outros locais dessa região. “É um grande avanço para o tratamento oncológico desses tumores de cabeça e pescoço”, afirma.

Além da TORS, Belli explica que a plataforma permite realizar cirurgias de tireoide por acesso transoral e esvaziamentos cervicais por vias diferentes das tradicionais, com benefícios estéticos.

O Hospital Azambuja foi o primeiro hospital filantrópico de Santa Catarina a implantar o sistema robótico Da Vinci. Desde a chegada da tecnologia, a instituição ampliou sua utilização para procedimentos nas áreas de cirurgia cardíaca, urologia, ginecologia, cirurgia torácica, cirurgia geral e cirurgia oncológica.

Para o diretor administrativo Gilberto Bastiani, a entrada de uma nova especialidade consolida o projeto iniciado com a implantação da plataforma. “A decisão de investir no sistema robótico Da Vinci foi tomada pensando no futuro da assistência prestada pelo Hospital Azambuja. Ver essa tecnologia sendo utilizada por diferentes especialidades, demonstra que esse investimento está cumprindo seu propósito de oferecer aos nossos pacientes acesso a procedimentos cada vez mais modernos, seguros e precisos, sempre aliados à qualificação do nosso corpo clínico”, enfatiza.

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